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Espiritismo
 
O Espiritismo não pode ser definido somente como religião, nem somente como filosofia. A doutrina que admite o princípio de reencarnação e manifestações dos espíritos dos mortos entre os vivos, embora  fundamentada firmemente na doutrina e orações da Igreja Católica, não tem liturgia complicada, restrições, rituais de adoração, sacerdotes ou Igrejas, apresentando aos praticantes simplesmente um conjunto de princípios para tornar o homem um ser mais evoluído e tolerante e, principalmente, responsável pelos seus atos. Incorporando temas como a Lei de Retorno (ou karma), as práticas mediúnicas de contato com espíritos desencarnados e um amplo trabalho de assistência social, o Espiritismo se adapta de tal forma à espiritualidade e misticismo dos brasileiros que o Brasil é considerado o maior país espírita do mundo, com cerca de
8 milhões de adeptos no ano 2000, e mais de 9.000 centros.
As primeiras manifestações de espíritos, oficialmente registradas no Brasil, ocorreram em 1845, no Distrito de Mata de São João.  Baseado nos trabalhos de Allan Kardec, (de onde provém o nome “kardecismo” amplamente usado no Brasil), o Espiritismo chegou ao Brasil, como prática, em 1865, quando Luiz Olímpio Teles de Menezes fundou em Salvador o Grupo Familiar de Espiritismo, que, a partir de Julho de 1869, iniciou a publicação da revista espírita Eco de Além Túmulo.
Em 1876, foi fundada no Rio de Janeiro a Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade; em 1877, foram fundados a Congregação Anjo Ismael, o Grupo Espírita Caridade e o Grupo Espírita Fraternidade. No ano de 1883, começou a ser publicado “ O Reformador” , um periódico espírita fundado por Augusto Elias da Silva, que no ano de 1884 fundou também a Federação Espírita Brasileira. A Livraria da Federação, criada em 1897, é responsável pela edição, distribuição e divulgação da vasta literatura espírita.
Nomes de importância mundial no espiritismo vieram do Brasil, como o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcante, presidente da Federação que, a partir de 1900, passou a ser, no Mundo Espiritual, o Apóstolo do Espiritismo Brasileiro, e médiuns famosos como Francisco Cândido Xavier, José Pedro de Freitas (Zé Arigó), e atualmente Divaldo Pereira Franco. Embora durante muitos anos as práticas Espíritas dependessem exclusivamente da intercessão de Médiuns , existe atualmente uma corrente nova de estudos que avalia manifestações de espíritos  ocorridas através de aparelhos eletrônicos de áudio e vídeo, conhecida como Transcomunicação.

 
O codificador do Espiritismo nasceu em 1804, em Paris, com o nome de Léon Hippolyte Denizard Rivail. Foi discípulo do célebre educador Pestalozzi, e dedicou parte de sua vida a atividades relacionadas à educação.  Em 1854, teve contato com o espiritismo, levado por Fortier, um magnetizador, para examinar o fenômeno das mesas girantes e falantes (que aparecera anos antes, através das famosas irmãs Fox). Desta forma, sua mente investigativa percebeu no fenômeno mais do que ilusionismo, e passou a estuda-lo. Adotou o nome de Allan Kardec, que lhe foi revelado por um espírito familiar, como sendo um de seus nomes de vidas passadas.
O principal mérito de Allan Kardec foi ter organizado e sistematizado o espiritismo numa doutrina básica, que pode ser vista em suas obras: “O Livro dos Espíritos”, de 1857, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de 1864, “O Livro dos Médiuns”, de 1864 e “O Gênesis” , de 1868. Outras obras se seguiram, e ele também fundou a “Revue Spirite” (Revista Espírita) e a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em 1858.